A segunda geração do Dacia Spring chega a Portugal com toda a gama abaixo dos 20.000 €. Bateria LFP de 27,5 kWh úteis, 250 km WLTP e consumo de 12,7 kWh/100 km. Mas há uma opção na lista de extras sem a qual o carro não consegue usar a rede de carregamento rápido.
A Dacia apresentou o novo Spring, primeiro de quatro modelos 100% elétricos que a marca prometeu lançar até 2030. É uma segunda geração completamente nova, construída sobre a plataforma RG-EV do Grupo Renault e fabricada em Novo Mesto, na Eslovénia.
A geração anterior vendeu mais de 210.000 unidades em mais de quarenta países desde 2021, e foi, para muitos condutores, o primeiro carro elétrico.
Os preços — e desta vez são os portugueses
Ao contrário do que é habitual nos comunicados de lançamento, a Dacia comunicou desde já os valores para Portugal:
| Versão | Preço |
|---|---|
| Spring Expression | 17.900 € |
| Spring Journey | 19.400 € |
Toda a gama fica abaixo dos 20.000 €. Ambas as versões partilham o mesmo motor de 60 kW (80 cv), a mesma bateria LFP de 27,5 kWh e o mesmo carregador AC de 6,6 kW de série.
A decisão mais importante não é a versão — é o Charge Pack
Aqui está o ponto que merece o destaque que o comunicado não lhe dá.
De série, em ambas as versões, o novo Spring traz um carregador AC de 6,6 kW. Isso permite carregar em tomada doméstica, em tomada reforçada e em wallbox. Não permite carregar em corrente contínua.
O carregamento em corrente contínua a 50 kW só existe no Charge Pack, o pacote de carregamento rápido, que acrescenta também um carregador AC de 11 kW e a função V2L.
Traduzindo: um novo Spring sem Charge Pack não consegue usar os postos rápidos e ultrarrápidos da rede pública. Fica dependente exclusivamente de carregamento em corrente alternada.
| Método | 15% a 80% |
|---|---|
| Tomada doméstica | 9 h |
| Tomada de alta potência | 5 h 40 |
| Wallbox de 7 kW | 2 h 55 |
| Wallbox trifásica 11 kW (Charge Pack) | 1 h 55 |
| Posto DC 50 kW (Charge Pack) | 28 min |
A recomendação do PlugNow: se o carro vai sair da cidade, mesmo que raramente, o Charge Pack não é opcional na prática. Vinte e oito minutos num poste de 50 kW é a diferença entre fazer uma viagem e não a fazer de todo.
Se o carro nunca sai de um raio de 30 km e dorme sempre numa wallbox em casa, aí sim, o pacote é dispensável — e é exatamente o perfil para o qual a Dacia desenhou este carro.
Uma nota sobre os 11 kW que quase ninguém vai aproveitar
O Charge Pack sobe o carregador AC de 6,6 para 11 kW. Só que 11 kW exige ligação trifásica, e a esmagadora maioria das habitações portuguesas é monofásica.
Numa instalação doméstica típica, o teto é de 7,4 kW — e a essa potência o carregador de 6,6 kW de série já está praticamente saturado. O valor real do Charge Pack está nos 50 kW em corrente contínua e no V2L, não nos 11 kW em AC.

Bateria, autonomia e a conta que não fecha
O novo Spring usa uma bateria LFP com 27,5 kWh de capacidade útil — a Dacia especifica capacidade útil, e não bruta, o que é de agradecer. Anuncia 250 km em ciclo WLTP combinado e um consumo de 12,7 kWh/100 km.
Multiplicando 250 km por 12,7 kWh/100 km chega-se a 31,75 kWh — mais do que os 27,5 kWh que a bateria armazena. Como já explicámos a propósito de outro lançamento, isto não é erro: o consumo homologado em WLTP é medido à tomada e inclui as perdas de carregamento. A diferença implícita aponta para uma eficiência de carregamento na ordem dos 87%, coerente com o segmento.
Ver Audi A2 e-tron: a conta que não bate certo à primeira para a explicação detalhada do mecanismo.
Autonomia real esperada:
| Utilização | Consumo estimado | Autonomia |
|---|---|---|
| Cidade | ~11-13 kWh/100 km | ~210-250 km |
| Estrada nacional | ~14-15 kWh/100 km | ~180-195 km |
| Autoestrada a 120 km/h | ~18-20 kWh/100 km | ~135-150 km |
Nota de método. A tabela acima é uma estimativa nossa, a partir da capacidade útil declarada e de consumos típicos do segmento. Não é um dado da Dacia. Note-se ainda que o Spring tem uma velocidade máxima de 130 km/h — não foi concebido para autoestrada, e o valor da última linha serve de aviso, não de recomendação de uso.
Um SUV compacto elétrico faz-se em autoestrada com margem. Este não. E não é defeito: é o posicionamento.
Os 34 km por dia — o número mais interessante do comunicado
A Dacia fez uma coisa rara: publicou dados reais de utilização, recolhidos por telemetria dos proprietários da primeira geração.
- Distância média percorrida: 34 km por dia
- Velocidade média: 34 km/h
- 75% dos carregamentos são feitos em casa
Estes três números justificam sozinhos toda a filosofia do carro. A 34 km por dia, uma bateria de 27,5 kWh dá para cerca de seis dias de utilização real. A afirmação da Dacia de que “uma carga por semana chega à maioria dos utilizadores” não é marketing — é aritmética.
E os 75% de carregamento doméstico confirmam o que temos escrito repetidamente: para a maioria dos condutores de elétricos, a rede pública é infraestrutura de exceção, não de rotina. O que torna o dimensionamento da bateria uma questão de custo, não de capacidade.
Um carro com 27,5 kWh é mais barato de comprar, mais leve, mais eficiente e menos exigente em recursos do que um com 60 kWh. Para quem faz 34 km por dia, o carro maior não acrescenta nada — só custa mais.
Quanto custa andar
Com um consumo homologado de 12,7 kWh/100 km, medido à tomada:
| Onde carrega | Preço | Custo por 100 km | Carga 15-80% |
|---|---|---|---|
| Em casa | 0,22 €/kWh | 2,79 € | ~4,50 € |
| Num ultrarrápido | 0,60 a 0,70 €/kWh | 7,62 € a 8,89 € | ~12 € a 14 € |
Menos de três euros por 100 quilómetros é, muito provavelmente, o custo de utilização mais baixo de qualquer automóvel novo à venda em Portugal. Aos 34 km diários da média Dacia, dá menos de um euro por dia.
V2L: alimentar equipamentos a partir do carro
Incluída no Charge Pack, a função Vehicle-to-Load permite usar a bateria para alimentar pequenos aparelhos — lanternas, baterias de bicicletas elétricas, máquinas de café. O comunicado não especifica a potência disponível [CONFIRMAR].
É mais um argumento a favor do pacote, sobretudo para quem usa o carro em atividades ao ar livre.
Espaço: o melhor da classe
O novo Spring cresceu de forma significativa: mais 15 cm de comprimento e mais 18 cm de largura do que a geração anterior. Fica nos 3,85 m de comprimento por 1,74 m de largura, sem espelhos.
- Bagageira de 337 litros — a Dacia reivindica a melhor capacidade do segmento A elétrico
- Até 1.283 litros com o banco traseiro rebatido (50/50)
- Frunk opcional de 18 litros, o único do segmento A, dimensionado para o cabo de carregamento
- Raio de viragem de 4,95 m
- Peso a partir de 1.212 kg
Os 1.212 kg merecem destaque. Num mercado em que os elétricos compactos já pesam 1.700 kg, este é um dos poucos que continua leve — e o peso é a variável que mais condiciona o consumo em cidade.
A gama
Expression (17.900 €): jantes de aço de 15 polegadas, ar condicionado manual, sensores de estacionamento traseiros, travão de mão elétrico, sistema Media Control com USB-C, banco traseiro rebatível 50/50, piso divisível na bagageira, três pontos de fixação YouClip.
Journey (19.400 €): tudo o anterior, mais jantes de 16 polegadas, cartão mãos-livres, câmara de marcha-atrás, sistema Media Nav Live com ecrã central de 10,1 polegadas, navegação conectada com oito anos de mapas, duas portas USB-C e cobertura da bagageira.
Ambas as versões trazem de série um painel de instrumentos digital de 7 polegadas.
O que fica
O novo Spring não tenta competir com nada. Faz uma coisa e fá-la bem: transporte diário elétrico ao preço mais baixo do mercado, com dados reais a sustentar a decisão de não pôr uma bateria maior.
A crítica que se pode fazer é ao pacote de opções, não ao carro. Vender um elétrico sem carregamento em corrente contínua de série, em 2026, é uma decisão discutível — mesmo num modelo de acesso. O comprador que não perceber a implicação do Charge Pack pode dar por si com um carro que não consegue carregar num posto de autoestrada.
Se o Charge Pack fosse de série, este seria um carro difícil de criticar. Como é opcional, passa a ser um carro que exige que se leia a lista de extras com atenção.
Fonte: Dacia Portugal, press kit de 8 de setembro de 2026. Estimativas de autonomia real e cálculos de custo da responsabilidade do PlugNow.
Perguntas frequentes
Quanto custa o novo Dacia Spring em Portugal? O novo Dacia Spring Expression custa a partir de 17.900 € e o Spring Journey a partir de 19.400 €. Toda a gama fica abaixo dos 20.000 €.
Qual é a autonomia do novo Dacia Spring? A Dacia anuncia até 250 km em ciclo WLTP combinado, com uma bateria LFP de 27,5 kWh de capacidade útil e um consumo homologado de 12,7 kWh/100 km. Em utilização real, a expectativa situa-se entre 210 e 250 km em cidade e entre 135 e 150 km em autoestrada.
O novo Dacia Spring carrega em corrente contínua? Apenas com o Charge Pack. De série, o Spring traz um carregador de corrente alternada de 6,6 kW e não permite carregamento em corrente contínua. O Charge Pack acrescenta um carregador AC de 11 kW, carregamento DC até 50 kW e a função V2L.
Quanto tempo demora a carregar o novo Dacia Spring? Dos 15% aos 80%, demora 9 horas numa tomada doméstica, 5 horas e 40 minutos numa tomada de alta potência e 2 horas e 55 minutos numa wallbox de 7 kW. Com o Charge Pack, demora 1 hora e 55 minutos numa wallbox trifásica de 11 kW e 28 minutos num posto de corrente contínua de 50 kW.
Quanto custa carregar o novo Dacia Spring? Com um consumo homologado de 12,7 kWh/100 km e uma tarifa doméstica de 0,22 €/kWh, o custo ronda os 2,79 € por 100 quilómetros. Num carregador ultrarrápido, a 0,60 a 0,70 €/kWh, sobe para cerca de 7,62 € a 8,89 € por 100 quilómetros.
Que bateria tem o novo Dacia Spring? O novo Spring usa uma bateria de fosfato de ferro e lítio (LFP) com 27,5 kWh de capacidade útil. A química LFP dispensa níquel e cobalto, usando ferro e fosfato, metais de disponibilidade mais fácil.
Onde é fabricado o novo Dacia Spring? O novo Dacia Spring é fabricado na Europa, na fábrica de Novo Mesto, na Eslovénia, sobre a plataforma RG-EV do Grupo Renault.
