A pergunta chega quase sempre da mesma maneira: compensa passar para elétrico? E a resposta que se encontra por aí é quase sempre a mesma — uma média nacional, um consumo homologado e um preço de kWh escolhido por quem faz a conta. Nenhum desses três números é o seu.
Este simulador faz o contrário. Parte do consumo real do carro que tem hoje e responde a uma pergunta que não tem margem para batota: para gastar o mesmo que um elétrico, quantos litros aos 100 quilómetros teria o seu carro de fazer?
Um elétrico que consuma 18 kWh/100 km, carregado em casa em horas de vazio, custa cerca de 2,18 € por cada 100 quilómetros já com as perdas de carregamento contadas. Para gastar o mesmo, um carro a gasóleo a 2,128 €/L teria de fazer pouco mais de 1 litro aos 100 quilómetros. Num carregador rápido de autoestrada a 0,49 €/kWh, a conta do elétrico sobe para 9,70 € por 100 km — o equivalente a um combustão que fizesse 4,6 l/100 km.
Porque é que a comparação habitual não vale nada
O problema de quase todas as comparações entre elétrico e combustão é a escolha do adversário. Quem quer defender o elétrico compara-o com um SUV a gasolina que faz 9 litros. Quem quer atacá-lo compara-o com um diesel de três cilindros que faz 4,2 em condução suave. Ambos estão a escolher o resultado antes de fazer a conta.
A inversão resolve isso. Em vez de escolhermos por si um consumo de referência, calculamos o consumo que o seu carro teria de ter para empatar. O número que sai é objetivo, e depois compara-o com aquilo que o seu carro faz de facto — que é a informação que você tem e nós não.
Há ainda uma segunda razão para desconfiar das contas alheias: quase nenhuma inclui as perdas de carregamento. A energia que paga ao comercializador não é a energia que entra na bateria. Entre a tomada e as células perde-se qualidade, calor e alguma coisa fica pelo caminho — tipicamente à volta de 10% em corrente alternada. Quem calcula o custo do elétrico a partir do consumo do computador de bordo está a subestimar a fatura em cerca de um décimo. Medimos essa diferença ao longo de três anos e o simulador abaixo já a contabiliza, com o valor editável.
O simulador
Faça a conta com os seus números
Todos os campos são editáveis. Comece pelo consumo real do carro que tem hoje.
Para gastar o mesmo que este elétrico carregado em casa, o seu carro teria de fazer
1,02 l/100 km
| Onde carrega | Custo/100 km | Equivale a | Por ano | Poupança/ano |
|---|---|---|---|---|
| Casa, horas de vazio | ||||
| Posto público normal | ||||
| Rápido de autoestrada | ||||
| O seu carro atual | — | — |
Os restantes carregamentos são divididos em partes iguais entre posto público normal e rápido de autoestrada.
Preços de combustível: média nacional estimada para a semana de 7 a 13 de setembro de 2026, a partir dos dados da DGEG e das variações praticadas pelas principais gasolineiras. Preços de energia: valores de referência editáveis. As perdas de carregamento são maiores em corrente alternada do que em corrente contínua. Este simulador calcula apenas o custo de energia, não o custo total de posse.

Como são feitas as contas
O lado do combustão
Custo por 100 km = consumo em l/100 km × preço do litro.
O preço por defeito é o preço médio nacional estimado para a semana de 7 a 13 de setembro de 2026: 2,128 €/L no gasóleo simples e 2,112 €/L na gasolina 95 . São valores calculados a partir das variações praticadas pelas principais gasolineiras sobre a média DGEG de 4 de setembro, num contexto em que o desconto extraordinário do ISP foi reforçado para 9,649 cêntimos por litro no gasóleo.
O campo é editável de propósito. Se abastece sempre no mesmo posto e sabe o preço que paga, use-o — os preços de bomba variam facilmente 15 cêntimos entre marcas e entre o litoral e o interior.
O lado do elétrico
Custo por 100 km = consumo em kWh/100 km × (1 + perdas) × preço do kWh.
O consumo por defeito são 18 kWh/100 km, um valor realista para um elétrico de dimensão média em utilização mista. Se quiser trabalhar com autoestrada, o valor sobe bastante: medimos os dez elétricos mais vendidos em Portugal a 120 km/h e nenhum deles fica abaixo dos 15,7 kWh/100 km.
Os três preços de energia representam os três mundos em que se carrega:
| Cenário | Valor por defeito | De onde vem |
|---|---|---|
| Casa, horas de vazio | 0,11 €/kWh | Tarifário bi-horário doméstico |
| Posto público normal (AC) | 0,30 €/kWh | Intervalo corrente na rede pública fora do vazio |
| Rápido de autoestrada (DC) | 0,49 €/kWh | Tarifa de referência usada nos artigos de custo do PlugNow |
Estes valores também são editáveis, e é aí que está a parte útil do exercício: se souber o preço do seu próprio contrato, o simulador deixa de ser uma média e passa a ser a sua conta.
Porque é que o preço do kWh varia tanto de posto para posto
Esta é a confusão mais comum e vale a pena arrumá-la. Na rede pública portuguesa há duas entidades a cobrar sobre o mesmo carregamento:
- O CEME é o comercializador de eletricidade para a mobilidade elétrica. É com ele que assina contrato, é ele que emite a fatura e é a parte da conta que você escolhe.
- O OPC é o operador do ponto de carregamento, o dono do posto. Cobra pela utilização do equipamento, e essa parcela pode ser por kWh, por minuto, por sessão, ou uma mistura. Não é escolhida por si — vem com o posto onde parou.
O resultado é que o mesmo carro, a carregar a mesma energia, pode pagar valores muito diferentes consoante o cartão que usa e o posto onde para. A parcela ao minuto é a que apanha mais gente desprevenida, sobretudo em postos AC lentos, onde o tempo cobrado pesa mais do que a energia entregue.
Para a decisão de compra, a leitura é esta: a escolha do CEME não é um detalhe administrativo posterior. É uma variável com peso comparável à escolha do modelo.
A equivalência em litros
Litros equivalentes aos 100 km = custo do elétrico por 100 km ÷ preço do litro.
É a linha que dá o número grande do simulador. Não tem opinião lá dentro: é uma divisão.
Três coisas que ficam evidentes assim que mexe nos números
Em casa, não há combustão que chegue lá
Com os valores por defeito, carregar em casa em vazio custa 2,18 € por 100 km. A equivalência dá pouco mais de 1 litro aos 100 quilómetros. Não existe carro a combustão à venda que faça isso, nem se aproxime. Nesta comparação não há discussão — há apenas ordens de grandeza diferentes.
Num ano de 15 000 km, a diferença face a um carro que faça 6,5 l/100 km anda pelos 1 750 €.
Na autoestrada, a vantagem encolhe — mas não desaparece
Quem carregar exclusivamente em rápidos de autoestrada paga cerca de 9,70 € por 100 km, o equivalente a um combustão de 4,6 l/100 km. Aí já se encontram carros que competem: um diesel eficiente em andamento constante anda por esses valores.
Convém, no entanto, comparar como deve ser. Esses 4,6 litros teóricos teriam de ser feitos em autoestrada, a 120 km/h, que é justamente onde os motores a combustão consomem mais e onde os consumos anunciados deixam de se verificar. Um Nissan Qashqai 1.3 a gasolina faz cerca de 7 l/100 km nessas condições; um Kia Ceed 1.6 CRDi, cerca de 6.
Ou seja: mesmo no pior cenário de carregamento, o elétrico ainda ganha. Só deixa de ganhar por goleada.
A escolha do CEME pesa mais do que a escolha do carro
Experimente uma coisa no simulador: deixe todos os campos como estão e mude apenas o preço do kWh no posto público, de 0,30 para 0,25 €/kWh. Depois compare com o efeito de reduzir o consumo do elétrico de 18 para 16 kWh/100 km — o que, na prática, significa comprar outro carro.
A diferença de tarifário pesa mais do que a diferença de eficiência entre dois modelos. É contraintuitivo e é o argumento central deste site: escolhe-se o carro uma vez, escolhe-se o tarifário todos os meses. O nosso comparador de tarifários CEME existe exatamente para essa segunda decisão.
O que este simulador não responde
Isto é uma calculadora de custo de energia, não de custo total de posse. Fica de fora tudo o que se segue, e nada disto é acessório:
- Preço de compra e depreciação. É quase sempre a maior parcela do custo de um carro, e é onde o elétrico costuma partir em desvantagem.
- ISV e IUC. Os elétricos beneficiam de isenções que valem centenas de euros por ano.
- Manutenção. Menos peças móveis, sem óleo, sem filtros, sem escape, travões que duram mais por causa da regeneração.
- Seguro. Habitualmente mais caro no elétrico.
- Instalação da wallbox. Um investimento inicial que só se justifica se tiver onde carregar.
Se quer a conta completa, o conceito que precisa é o de custo total de posse (TCO). O que este simulador faz é resolver bem a parcela que muda todos os dias e que é a mais fácil de estimar mal.
Perguntas frequentes
Compensa comprar um carro elétrico se não tiver onde carregar em casa?
Compensa menos, mas continua a compensar em energia. Com os valores atuais, carregar só em postos públicos normais custa cerca de 5,94 € por 100 km e carregar só em rápidos de autoestrada cerca de 9,70 €, contra 13,83 € de um carro a gasóleo que faça 6,5 l/100 km. A vantagem existe, mas passa de esmagadora a moderada — e nesse cenário a escolha do tarifário CEME torna-se determinante.
Quantos litros aos 100 km equivale carregar um elétrico?
Depende inteiramente de onde carrega. Um elétrico de 18 kWh/100 km carregado em casa em vazio equivale a um combustão que fizesse pouco mais de 1 l/100 km. Carregado num posto público normal, equivale a cerca de 2,8 l/100 km. Carregado exclusivamente em rápidos de autoestrada, a cerca de 4,6 l/100 km. Valores calculados com gasóleo a 2,128 €/L.
Porque é que o preço do kWh muda tanto de posto para posto?
Porque há duas entidades a cobrar. O CEME é o comercializador com quem tem contrato e emite a fatura — essa parte é escolhida por si. O OPC é o operador do posto e cobra pela utilização do equipamento, por kWh, por minuto ou por sessão, consoante o posto. A soma das duas parcelas explica porque é que o mesmo carregamento pode custar valores muito diferentes conforme onde parou e que cartão usou.
As perdas de carregamento contam para o custo?
Contam, e são frequentemente ignoradas. A energia faturada pelo comercializador é medida à entrada do carro, não à entrada da bateria. A diferença ronda os 10% em carregamento em corrente alternada e é menor em corrente contínua. Quem calcular o custo apenas a partir do consumo do computador de bordo subestima a fatura em cerca de um décimo.
Quanto se poupa por ano ao trocar um carro a gasóleo por um elétrico?
Com 15 000 km por ano, um carro a gasóleo que faça 6,5 l/100 km custa cerca de 2 075 € de combustível. Um elétrico de 18 kWh/100 km custa cerca de 327 € se for sempre carregado em casa em vazio, 891 € em postos públicos normais e 1 455 € só em rápidos de autoestrada. A poupança anual em energia situa-se, portanto, entre cerca de 620 € e 1 750 €, consoante onde carrega.

entao e o GPL?
Boa pergunta. O GPL continua a ganhar à gasolina com folga: a 0,886 €/L (média DGEG, início de setembro), mesmo consumindo mais em volume — cerca de 8,4 L/100 km onde a gasolina faz 6,3 —, fica em torno dos 7,5 €/100 km, contra quase 13 € a gasolina.
Face ao elétrico, depende de onde carrega. Em carregamento rápido na rede pública ficam praticamente empatados. Em casa, não há comparação possível — o elétrico fica a uma fração disso.
Ou seja: o GPL faz sentido para quem anda muito e não tem forma de carregar em casa. Tem tomada em casa?