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6 pensamentos sobre “Consumo real em autoestrada dos elétricos mais vendidos”

  1. Bom dia, estamos na presença de um bom artigo sobre viaturas elétricas. Contudo, saliento apenas dois pormenores ou “pormaiores” importantes. Os gráficos dizem que o Tesla model 3 e o Long Range mas com a bateria de 60kw úteis estamos a falar da versão normal. Pois o Long Range tem uma bateria de 75kw úteis e que lhe dá uma maior autonomia. Já no que respeita as tarifas de carregamento rápido, não está esplanado no artigo que os teslas usam a sua própria infraestrutura de carregamento que varia a data de hoje entre os 0,27 e os 0,35€, ou seja, muito mais em conta que a tarifa da Atalante. Estes dois pormenores fazem da Tesla um carro muito mais atrativo e que todas as outras marcas não gostam de salientar. Obrigado

    1. Bom dia, Sérgio. Obrigado — e o segundo ponto é dos melhores que este artigo recebeu.
      Começo pelo primeiro, onde há um mal-entendido cuja culpa é minha. O artigo usa o Model 3 de tração traseira, a versão de entrada, com 60 kWh úteis e 534 km homologados. Nunca o Long Range. Mas o gráfico identifica os carros só pelo nome do modelo, sem indicar a versão — e assim é natural que tenha assumido outra coisa. Vou passar a incluir a versão nas etiquetas do gráfico, porque num artigo em que a versão decide tudo, omiti-la é um erro de apresentação.
      Quanto ao carregamento, tem toda a razão e é uma lacuna real.
      Usei uma tarifa única de 0,49 €/kWh para todos os modelos, precisamente para isolar a variável do consumo e comparar carros e não contratos. Só que ao fazê-lo apaguei uma vantagem concreta: quem tem um Tesla acede à rede da marca em condições que não estão disponíveis nas mesmas condições aos restantes. Se os valores que indica se confirmarem, isso corta o custo em rápido de um Model 3 para pouco mais de cinco euros por 100 km, contra os oito da tabela atual. Não é um detalhe — muda a leitura de quem faz muitos quilómetros.
      Vou verificar os preços atuais e acrescentar uma coluna ou uma nota por marca sobre a rede própria. Vale a pena fazê-lo bem, porque é o mesmo argumento que já está no artigo levado mais longe: a escolha da rede pesa tanto na fatura como a escolha do modelo. O senhor mostrou que essa escolha, nalguns casos, vem com o carro.
      Uma ressalva que terá de constar: as tarifas das redes próprias variam com a hora e o posto, e algumas redes já aceitam outras marcas a preços diferentes. Vou ter de o escrever com intervalos e datas, como fiz com o resto.
      O artigo foi entretanto atualizado com valores homologados tirados diretamente dos configuradores das marcas. Esta sua sugestão entra na próxima revisão, com nota datada. Obrigado pelo cuidado do comentário.

      1. Caro Edmar Rodrigues,

        Obrigado pela sua resposta, que sinceramente não estava à espera.
        Um excelente artigo que demonstra que podemos ser corretos sobre as vantagens/desvantagens de ter um veiculo 100% elétrico.
        A forma como esta e melhorar o artigo é, sem qualquer dúvida, a maneira mais correta e profissional para o fazer.
        Toda a comunidade de pessoas que tem interesse em obter estes esclarecimento deverá estar agradecida.
        Bem Haja.

  2. Obrigado, ao Edmar pelo artigo e ao Sérgio pelo esclarecimento adicional.
    Bastante elucidativo para quem pretende comprar um elétrico.

  3. Muito interessante.
    Sem querer abusar muito :), seria interessante saber a variação de consumo/autonomia, entre levar apenas o condutor ou ir com 5 adultos… é que tenho a sensação que é bastante diferente…

    1. Não abusa nada — é uma boa pergunta, e a resposta é provavelmente o contrário do que espera.

      **A 120 km/h, o peso conta pouco.** A física explica porquê: a essa velocidade, cerca de 70% da energia vai para vencer a resistência do ar, que não depende do peso. Os passageiros só agravam a resistência ao rolamento, que é a fatia mais pequena. Quatro adultos a mais são cerca de 300 kg num carro de duas toneladas — mais 15% de massa, que se traduz em qualquer coisa como **3 a 5% de consumo**.

      Em cidade, em subidas ou em estrada de montanha, aí sim: o peso pesa muito mais, porque cada aceleração e cada subida obrigam a mover essa massa toda.

      Temos uma medição própria que ajuda. Fizemos um BMW iX1 xDrive30 em agosto, autoestrada, 120 km/h, com cinco ocupantes, bagagem e ar condicionado ligado: **22,5 kWh/100 km**. A estimativa para esse mesmo carro em condições de referência era 20,9. Ou seja, cinco pessoas mais bagagem mais climatização custaram cerca de **8%**.

      E agora o dado curioso: o teste em pista do mesmo modelo, feito a 10 °C no inverno e sem carga, deu **22,9 kWh/100 km** — mais do que a nossa medição com o carro cheio em agosto. **A temperatura fez mais diferença do que quatro passageiros.**

      Então de onde vem a sensação de que o carro cheio gasta muito mais? Quase sempre de três coisas que costumam vir juntas com os cinco adultos, e essas sim pesam:

      → **Bagageira de tejadilho.** É o maior consumidor de todos. Pode custar 10 a 25% em autoestrada, porque mexe diretamente na aerodinâmica.
      → **Ar condicionado a trabalhar a sério**, com o habitáculo cheio e sol de agosto.
      → **Pressão dos pneus não ajustada à carga.** A maioria dos fabricantes indica pressões mais altas para carga máxima, e quase ninguém as põe.

      Se leva as malas dentro do carro, ajusta a pressão e não põe nada no tejadilho, a diferença é pequena. Se põe uma caixa em cima, perde mais do que os cinco passageiros lhe custam.

      Estamos a recolher medições da comunidade, e uma das colunas é precisamente o número de ocupantes. Com respostas suficientes, isto deixa de ser física de manual e passa a ser um número medido em estrada portuguesa. Se fizer o teste, diga-nos.

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