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À medida que o mercado de veículos elétricos (EV) cresce, uma nova fronteira de valor está a emergir: as baterias que já não servem para mover um automóvel, mas ainda têm capacidade útil para aplicações estacionárias ou comunitárias. Este fenómeno, conhecido como baterias de segunda vida, está a ganhar força em toda a Europa e no mundo, representando uma importante viragem na economia circular do setor automóvel e energético.
O que são baterias de segunda vida?
Quando uma bateria de EV atinge cerca de 70–80% da sua capacidade original, normalmente deixa de ser considerada adequada para maximizar autonomia em estrada, mas ainda possui energia suficiente para aplicações menos exigentes, como armazenamento estacionário ou apoio à rede elétrica.
Este potencial tem levado montadoras e parceiros industriais a desenvolver soluções robustas que prolongam o ciclo de vida desses módulos, diminuindo desperdício e reduzindo a necessidade de extrair matérias-primas novas.
Casos concretos de reutilização
Nissan: da mobilidade à energia comunitária
A Nissan está entre os líderes nesta abordagem. As baterias do Nissan LEAF — um dos EV mais vendidos da história — estão a ser reutilizadas em projetos que vão desde sistemas de armazenamento em edifícios industriais e empresa até aplicações comunitárias em regiões com desafios energéticos.
A empresa implementou soluções de armazenamento que captam energia em períodos de baixa procura e a libertam durante picos, ajudando a reduzir emissões de CO₂ e a aliviar a pressão sobre a rede elétrica.
Renault: reutilização em larga escala
O Renault Group também está a explorar a segunda vida das baterias como parte da sua estratégia circular. Em França, baterias reutilizadas estão a armazenar energia proveniente de sistemas fotovoltaicos para uso posterior, ajudando a maximizar a autonomia energética de edifícios e estações de carregamento de EV.
Além disso, a marca francesa tem centros industriais dedicados ao recondicionamento e reutilização de veículos e baterias, o que pode impulsionar ainda mais a economia circular e reduzir o impacto ambiental.
Projetos industriais e urbanos com impacto real
Mais além, projetos como o “Second Life Batteries” da Galp, BMW e parceiros criam sistemas de armazenamento para hubs de carregamento ultrarrápido, reduzindo a pressão na rede elétrica e acelerando o desenvolvimento da infraestrutura de mobilidade elétrica.
Oportunidade de mercado e desafios
O valor económico associado às baterias de segunda vida é significativo — estima-se que o mercado global de reutilização de baterias EV possa valer bilhões de euros até 2035, à medida que milhões de baterias atingem o fim da sua primeira vida útil.
No entanto, existem barreiras técnicas e regulatórias, como a necessidade de padrões industriais para classificação e segurança das baterias reutilizadas, bem como processos eficientes de reciclagem no fim da segunda vida.
Impacto ambiental e estratégico
A reutilização de baterias contribui diretamente para:
- Redução de desperdício e menor necessidade de extração de matérias-primas (lítio, cobalto, etc.);
- Maior resiliência energética em sistemas isolados ou com renováveis intermitentes;
- Economias de custos para infraestruturas e comunidades;
- Maior valor residual para veículos elétricos, ao estender o ciclo de vida útil das baterias.
Este modelo está alinhado com as metas europeias de economia circular e sustentabilidade, impulsionando uma nova cadeia de valor que liga diretamente a indústria automóvel à energia renovável e às redes elétricas inteligentes.
O futuro da bateria em EV
À medida que a produção global de EV continua a crescer, o volume de baterias que atingem o fim da vida automóvel também aumentará rapidamente. A capacidade de reutilizar esses recursos de maneira segura e economicamente viável será um dos grandes desafios – e oportunidades – da próxima década na transição energética.
