Atualizado a 6 de outubro de 2026, com os dados de setembro. Este artigo é atualizado todos os meses, assim que a ACAP divulga os números do mês anterior.
Em setembro de 2026, 47,7% dos automóveis ligeiros de passageiros novos matriculados em Portugal foram 100% elétricos. É o valor mensal mais alto de sempre e quase o dobro da média de janeiro a abril. No acumulado do ano, os elétricos representam 29% do mercado.
Neste artigo encontra a evolução mês a mês, como ler estes números sem cair nas confusões habituais, e o que mudou ao longo do ano.
Os números de setembro de 2026 em resumo
- Quota mensal dos 100% elétricos: 47,7% dos ligeiros de passageiros.
- Elétricos matriculados em setembro: 9.338 unidades, mais 87,4% do que em setembro de 2025.
- Mercado de ligeiros de passageiros: 19.589 unidades, mais 15,2% do que no mesmo mês do ano anterior.
- Acumulado de janeiro a setembro: 54.726 elétricos, 29% do mercado, mais 49,1% do que no mesmo período de 2025.
- Carro mais vendido do mês: Tesla Model 3, com 2.065 unidades — o modelo mais matriculado em Portugal em setembro, entre todas as motorizações.
Quota de carros elétricos mês a mês em 2026
| Mês | Elétricos matriculados | Ligeiros de passageiros | Quota mensal | Quota acumulada |
|---|---|---|---|---|
| Janeiro | 4.341 | – | 25,8% | 25,8% |
| Fevereiro | 4.732 | – | ≈ 23% | 24,3% |
| Março | 6.063 | 26.679 | 22,7% | 23,6% |
| Abril | 5.010 | 21.592 | 23,2% | 23,5% |
| Maio | 6.988 | 25.080 | 27,9% | 24,5% |
| Junho | 7.572 | 26.349 | 28,7% | 25,3% |
| Julho | 5.603 | 18.157 | 30,9% | 26,0% |
| Agosto | 5.079 | 14.086 | 36,1% | 26,8% |
| Setembro | 9.338 | 19.589 | 47,7% | 29,0% |
| Total jan.–set. | 54.726 | 188.912 | — | 29,0% |
Fonte: ACAP — Associação Automóvel de Portugal. Apenas automóveis ligeiros de passageiros novos 100% elétricos (BEV). Os valores de março, maio e agosto (unidades) e os totais de abril e junho (mercado) foram calculados pelo PlugNow a partir dos acumulados publicados pela ACAP; as somas batem certo com o total de janeiro a setembro.
Termo de comparação: em todo o ano de 2025, os elétricos representaram 23,2% dos ligeiros de passageiros novos em Portugal.
Como ler estes números sem se enganar
As notícias sobre vendas de automóveis misturam com frequência três números diferentes. Vale a pena separá-los.
Quota mensal não é quota do ano
Os 47,7% referem-se só a setembro. A média de janeiro a setembro é 29%. Um mês forte puxa o acumulado para cima, mas não o transforma: para o ano fechar perto dos 50%, todos os meses teriam de ser como setembro.
Quota não é volume
Agosto teve uma quota alta (36,1%) com poucos carros elétricos (5.079), porque é o mês mais fraco do ano para o mercado em geral — só 14.086 ligeiros de passageiros. Setembro é diferente: a quota subiu e o número de elétricos também, para o valor mensal mais alto do ano. É isso que torna setembro relevante.
Ligeiros de passageiros não são o mercado total
Alguns títulos referem 23.294 veículos em setembro. Esse número inclui ligeiros de mercadorias e pesados. A quota de 47,7% é calculada apenas sobre os 19.589 ligeiros de passageiros.
“Energias alternativas” não quer dizer “elétricos”
A ACAP agrupa elétricos, híbridos plug-in e híbridos convencionais em “energias alternativas”, que somam 76,8% dos ligeiros de passageiros de janeiro a setembro. Mas a maioria desses carros não carrega na tomada. A repartição do acumulado do ano é esta:
| Motorização | Quota jan.–set. 2026 |
|---|---|
| 100% elétricos (BEV) | 29,0% |
| Híbridos convencionais (HEV) | 26,2% |
| Híbridos plug-in (PHEV) | 15,0% |
| Gasolina | 19,7% |
| Gasóleo | 3,5% |
| Outras energias alternativas (sobretudo bi-fuel gasolina/GPL) | 6,6% |
Os híbridos convencionais não têm ficha de carregamento: a bateria é carregada pelo próprio motor a combustão e pela travagem. Só os elétricos e os plug-in usam a rede de carregamento.
Os 6,6% restantes são carros que a ACAP inclui nas “energias alternativas” mas que não são elétricos nem híbridos, sobretudo modelos bi-fuel que funcionam a gasolina e a GPL.
O que mudou ao longo de 2026
O ano teve duas fases distintas.
Janeiro a abril: estabilidade. A quota mensal andou entre 22% e 26%, muito perto da média de 2025. Os elétricos cresciam em número, mas ao mesmo ritmo do mercado.
Maio a setembro: subida contínua. A partir de maio, a quota subiu todos os meses: 27,9%, 28,7%, 30,9%, 36,1% e, finalmente, 47,7%. Junho foi o primeiro mês com mais de 7.500 elétricos; setembro passou os 9.300.
Porque é que setembro subiu tanto?
A ACAP não publica a repartição das vendas por tipo de cliente, por isso não é possível atribuir o salto a uma causa única com dados públicos. As explicações avançadas na imprensa são hipóteses:
- Fim do trimestre: setembro fecha o terceiro trimestre, altura em que costumam concentrar-se matrículas de frotas de empresas e de rent-a-car, segmentos onde os elétricos pesam muito.
- Preço dos combustíveis: a subida do custo da gasolina e do gasóleo torna a diferença de custo por quilómetro mais visível.
- Fiscalidade: os carros 100% elétricos continuam isentos de ISV e de IUC. Esta vantagem já existia antes, por isso explica o nível geral do mercado mas não o salto de um mês para o outro.
Saberemos mais com os dados de outubro: se a quota se mantiver acima dos 40%, setembro marca uma mudança de patamar; se voltar para os 30%, foi sobretudo um efeito de calendário.
O que isto significa para quem conduz um elétrico
Mais elétricos novos significa mais procura na rede pública de carregamento, sobretudo nos postos rápidos de autoestrada e nas cidades. Aqui convém distinguir dois papéis que muitas vezes se confundem:
- o OPC (operador do ponto de carregamento) é quem instala e gere o posto — é dele que depende haver mais postos e menos filas;
- o CEME (comercializador de eletricidade para a mobilidade elétrica) é quem lhe vende a energia e lhe envia a fatura — é dele que depende o preço que paga por kWh.
Com mais utilizadores na rede, escolher bem o tarifário CEME passa a contar mais. Pode comparar os tarifários disponíveis no comparador de tarifários CEME e ver quanto custa carregar face a abastecer no artigo Carregar na rede Mobi.E vs. abastecer a 2€.
Metodologia e fontes
Todos os valores vêm dos comunicados mensais da ACAP — Associação Automóvel de Portugal, que são publicados no primeiro dia útil de cada mês. Desde janeiro de 2025, os dados da ACAP incluem também as matrículas de veículos novos feitas por operadores que não são representantes oficiais das marcas.
Quando a ACAP publica apenas o valor acumulado, o PlugNow calcula o valor do mês pela diferença entre dois acumulados consecutivos. Esses valores estão assinalados na nota da tabela. As quotas são sempre calculadas sobre os automóveis ligeiros de passageiros novos.
Este artigo é atualizado todos os meses. A próxima atualização, com os dados de outubro, está prevista para o início de novembro de 2026.
Perguntas frequentes
Qual é a quota de carros elétricos em Portugal em 2026?
De janeiro a setembro de 2026, os carros 100% elétricos representaram 29% dos automóveis ligeiros de passageiros novos matriculados em Portugal. Só em setembro, a quota chegou aos 47,7%, o valor mensal mais alto de sempre.
Quantos carros elétricos foram vendidos em Portugal em 2026?
Entre janeiro e setembro de 2026 foram matriculados 54.726 automóveis ligeiros de passageiros novos 100% elétricos, mais 49,1% do que no mesmo período de 2025.
Qual foi o carro mais vendido em Portugal em setembro de 2026?
O Tesla Model 3, com 2.065 unidades matriculadas. Foi o automóvel mais vendido do mês entre todas as motorizações, não apenas entre os elétricos.
Qual é a diferença entre carro elétrico e carro eletrificado nas estatísticas?
Nas estatísticas da ACAP, “elétrico” refere-se apenas aos carros 100% elétricos a bateria. “Eletrificados” ou “energias alternativas” incluem também os híbridos plug-in e os híbridos convencionais, que não carregam na tomada. Em 2026, os eletrificados somam 76,8% do mercado, mas os 100% elétricos são 29%.
Os carros elétricos pagam ISV e IUC em Portugal?
Não. Os automóveis 100% elétricos continuam isentos de Imposto sobre Veículos e de Imposto Único de Circulação.
