A 120 km/h na A1, o Renault 5 E-Tech de 150 cv gastou cerca de 20,5 kWh/100 km, 36% acima do valor homologado. Em uso misto, ficou exatamente nos 15,1 kWh/100 km do WLTP. O carro que todos olham na rua é, por isso, muito mais convincente na cidade e em estrada do que em autoestrada.
Este é o terceiro ensaio da série Testámos, depois do Dacia Spring e do Volvo EX90. O teste a 120 km/h foi feito na mesma estrada e com o mesmo método do Spring.
O essencial
- Autoestrada: cerca de 20,5 kWh/100 km a 120 km/h. Dá cerca de 180 km entre 10% e 80% de bateria.
- Uso misto: 15,1 kWh/100 km segundo o computador de bordo, igual ao valor WLTP.
- Carregamento: num posto antigo de “50 kW”, carregou a 40 kW constantes, de 3% a 29% em 20 minutos. Quem limitou foi o posto, não o carro.
- Custo: 8,30 € por 13,34 kWh, pagos com a Electroverse (0,62 €/kWh).
- Preço: desde 24 900 € na gama; a versão testada começa nos 36 740 € e a unidade ensaiada custa 39 478,59 €.

A versão testada
Testámos o Renault 5 E-Tech Roland Garros 150 cv, com a bateria de 52 kWh (“autonomia conforto”).
| Especificação | Valor |
| Potência e binário | 110 kW (150 cv), 245 Nm |
| 0–100 km/h e velocidade máxima | 8 s; 150 km/h |
| Bateria | 52 kWh, NMC |
| Carregamento | 11 kW em AC; até 100 kW em DC |
| Consumo e autonomia WLTP | 15,1 kWh/100 km; 409 km (572 km em cidade) |
| Comprimento e massa | 3922 mm; 1504 kg em ordem de marcha |
| Bagageira | 277 L; até 959 L |
| Jantes | 18 polegadas |
| Preço | gama desde 24 900 € (Five 95 cv); Roland Garros 150 cv desde 36 740 €; unidade ensaiada 39 478,59 € |
Fonte: ficha técnica detalhada da Renault para a unidade ensaiada.
Transparência: a viatura foi cedida pela Renault Portugal para este ensaio. A marca não viu o artigo antes da publicação. Os carregamentos foram pagos com as nossas próprias contas.

Consumo a 120 km/h na A1
Em 66 km a 120 km/h, a bateria desceu de 39% para 13%. Com 52 kWh, isso dá cerca de 20,5 kWh/100 km.
| Medição | Valor |
| Percurso | A1, de Vila Franca de Xira ao Cartaxo e regresso, com retorno na saída do Cartaxo |
| Distância | 66 km (odómetro de 9013 a 9079 km) |
| Velocidade | 120 km/h com o cruise control adaptativo; média de cerca de 116 km/h, incluindo o retorno |
| Temperatura e climatização | 23–24 °C; ar condicionado a 18 °C, ventilação 2 |
| Bateria | 39% → 13% |
| Consumo indicado pelo computador de bordo | 18,5 kWh/100 km |
| Consumo calculado (26% × 52 kWh ÷ 66 km) | cerca de 20,5 kWh/100 km |
Dois métodos, dois números. O computador de bordo indicou 18,5 kWh/100 km, cerca de 10% abaixo do valor calculado pela bateria gasta. Já tínhamos visto o mesmo no Volvo EX90, com uma diferença de 9%. Como o carro mostra a bateria em pontos percentuais inteiros, o valor calculado tem uma margem: entre cerca de 19 e 22 kWh/100 km.
Face ao anunciado. A Renault homologa 15,1 kWh/100 km no ciclo WLTP. A 120 km/h, o consumo calculado fica 36% acima desse valor. A climatização quase não conta: o computador atribuiu-lhe 0,3 kWh/100 km.
O que isto dá em autonomia. A este ritmo, a bateria cheia daria cerca de 255 km, e entre 10% e 80%, a janela habitual numa viagem, cerca de 180 km. O próprio carro é ainda mais pessimista: aos 97%, previa 195 km em autoestrada.
Face ao Dacia Spring. No mesmo percurso e ao mesmo ritmo, o computador de bordo do Spring indicou 15,5 kWh/100 km, contra 18,5 kWh/100 km no R5. É uma diferença de 3 kWh/100 km, cerca de 19%, pelo salto para um carro maior, mais pesado e mais potente. Comparamos os valores do computador de bordo porque foram obtidos da mesma forma nos dois carros.

No dia a dia
Em uso misto, o computador de bordo marcou 15,1 kWh/100 km, exatamente o valor WLTP. Num dia de 58,7 km a uma média de 51,6 km/h, indicou 15,2 kWh/100 km.
Chegar com 3%. De Vila Franca de Xira a Oeiras, em 52 km de estrada, a bateria desceu de 16% para 3%, o que dá cerca de 13 kWh/100 km. À partida, o Google Maps previa chegar com -1%, e o carro indicava 60 km de autonomia para 50 km de percurso. Chegámos com 3%: a navegação foi mais pessimista do que o resultado real, o que é preferível ao contrário.
Carregamento rápido: quem limitou foi o posto
O R5 anuncia até 100 kW em DC, mas a única sessão rápida que fizemos foi num posto antigo de 50 kW. Por isso, não medimos a curva de carregamento do carro, e não damos nenhum tempo de 10% a 80% como medido.
| Medição | Valor |
| Posto | Galp, Estrada de Paço de Arcos, Oeiras (OER-00255, tomada 02) |
| Equipamento | Efacec EV-QC45 (2021): 50–500 V, 120 A em DC |
| Sessão | 12 de outubro, 12:31:16 → 12:51:07 (19 min 51 s) |
| Bateria | 3% → 29% |
| Energia (fatura) | 13,34 kWh |
| Potência | entre 39,6 e 41,2 kW durante toda a sessão; média de 40,3 kW |

Porque é que não passou dos 41 kW. Este posto entrega no máximo 120 A. Com a tensão da bateria do R5, de cerca de 340 V nesta fase, isso dá cerca de 41 kW. A potência ficou estável durante toda a sessão, o que confirma que o limite era do posto. A lição vale para qualquer carro com bateria de 400 V: num posto antigo de “50 kW”, conte com cerca de 40 kW.
A energia confirma a bateria. 13,34 kWh para 26 pontos percentuais dá cerca de 51 kWh por 100%, compatível com os 52 kWh anunciados.
Quanto custou carregar
Pagámos 8,30 € pela sessão de 13,34 kWh, com a app Electroverse: 0,60 €/kWh mais 0,30 € de taxa por sessão, ou seja, 0,62 €/kWh no total. Usámos a Electroverse porque a app da Atlante não reconheceu o posto.
O operador do posto (OPC) é a Galp, que cobra ao minuto: 0,125 €/min sem IVA, 0,154 €/min com IVA. A Electroverse, que foi aqui o comercializador (CEME), cobra apenas por kWh e absorve a tarifa ao minuto. Na fatura, o tempo de carregamento aparece a 0 €.
| Forma de pagamento | Custo da sessão | €/kWh |
| Electroverse (o que pagámos) | 8,30 € | 0,62 € |
| Atlante, sem subscrição | 7,34 € | 0,55 € |
| Atlante GO (7,99 €/mês) | 6,54 € | 0,49 € |
| Comercializador Mobi.E com preço por kWh | 3,06 € de OPC, mais energia e taxas | — |
A tarifa ao minuto favorece quem carrega depressa. A 40 kW, os 0,154 €/min da Galp correspondem a cerca de 0,23 €/kWh. Com o Dacia Spring, a carregar mais devagar, o mesmo tipo de tarifa saía bem mais caro por kWh. Explicamos este efeito em tarifários ao minuto .
Quanto custa percorrer 100 km a 120 km/h (20,5 kWh/100 km): 12,75 € com a Electroverse, 11,28 € com a Atlante sem subscrição e 10,05 € com o Atlante GO, mais a mensalidade.
Viver com ele
O R5 é um caso raro de carro que todos olham. O desenho acerta em cheio, e a crítica que lhe fazemos tem mais a ver com o preço das versões mais equipadas e com o espaço atrás.
Design: uma homenagem ao passado bem feita
Estão lá todos os elementos do original: os faróis da frente e de trás, as proporções e os pormenores. E sem cair no saudosismo excessivo. Isso vê-se no facto de agradar tanto a quem conviveu com o R5 original como a quem olha para ele pela primeira vez. A imprensa é unânime nos elogios, e o PlugNow não é exceção. Apesar de já não ser novidade, as cabeças ainda se viram quando passamos.
O preço: depende muito da versão
A motorização elétrica casa bem com o conceito, sobretudo na versão de entrada. O R5 Five de 95 cv, com bateria de 40 kWh e 310 km de autonomia WLTP, custa 24 900 €, e é a versão que mais se ajusta ao tamanho e à filosofia de um carro do segmento B.
Com a bateria maior, a conversa muda. A versão testada começa nos 36 740 €, e com as versões mais equipadas ou alguns opcionais (muito tentadores e muito saudosistas) chega-se depressa aos 40 mil euros. A esse preço já há muitas propostas do segmento acima.
Interior: bem à frente, mas com alavancas a mais
À frente não há queixas. A posição de condução não merece reparos, e o sistema multimédia, baseado em Google, traz as ferramentas a que já estamos habituados, bem adaptadas ao carro.
A única crítica está atrás do volante: alavanca das mudanças, alavanca dos limpa para-brisas e comando do rádio, tudo junto. Se há marcas que simplificam de mais, a Renault complicou de mais. A consola central ganhou espaço, mas a praticabilidade perdeu, e outros construtores resolveram melhor a questão.
Lugares de trás e bagageira
Se o condutor tiver mais de 1,80 m, os lugares de trás praticamente deixam de existir. É pena, porque o R5 merecia um esforço maior aqui. Quem ganhou foi a bagageira, com 277 litros, mais do que suficiente para o segmento.
Em estrada
O chassis cativa: tem um comportamento de kart que deixa um sorriso na cara. A única crítica vai para a direção, que filtra demasiado o que se passa na estrada. A suspensão, pelo contrário, merece elogios: agarra bem o carro à estrada sem ser desconfortável, à boa maneira da escola francesa.

Veredicto
Recomendamos o R5 E-Tech. É um carro com personalidade, divertido de conduzir e eficiente no uso do dia a dia. As críticas são poucas e fáceis de aceitar.
O que nos surpreendeu pela negativa foi o consumo em autoestrada: cerca de 20,5 kWh/100 km a 120 km/h, com cerca de 180 km entre 10% e 80%. Para quem faz viagens longas com frequência, isso conta. Para quem o usa sobretudo em cidade e em estrada, o R5 cumpre o que promete.
A favor: design, comportamento em estrada, conforto da suspensão, sistema multimédia baseado em Google, consumo em uso misto igual ao homologado.
Contra: consumo em autoestrada, espaço atrás, alavancas a mais junto ao volante, direção pouco comunicativa, preço das versões mais equipadas.
Perguntas frequentes
Quanto consome o Renault 5 E-Tech em autoestrada?
No nosso teste na A1, a 120 km/h, o Renault 5 E-Tech de 150 cv gastou cerca de 20,5 kWh/100 km, calculados pela bateria gasta. O computador de bordo indicou 18,5 kWh/100 km.
Qual é a autonomia real do Renault 5 E-Tech em autoestrada?
A 120 km/h, com a bateria de 52 kWh, conte com cerca de 255 km de 100% a 0%, ou cerca de 180 km entre 10% e 80%.
Quanto consome o Renault 5 E-Tech em uso misto?
Em uso misto, o computador de bordo indicou 15,1 kWh/100 km, igual ao valor homologado no ciclo WLTP.
A que potência carrega o Renault 5 E-Tech num posto de 50 kW?
Num posto Efacec de 50 kW, carregou a cerca de 40 kW durante toda a sessão. O limite foi do posto, que entrega no máximo 120 A. O R5 anuncia até 100 kW em postos mais potentes.
Quanto custa carregar o Renault 5 E-Tech num posto rápido?
Num posto Galp em Oeiras, 13,34 kWh custaram 8,30 € com a Electroverse (0,62 €/kWh). Com a Atlante, a mesma sessão custaria 7,34 € sem subscrição ou 6,54 € com o Atlante GO.
Quanto custa o Renault 5 E-Tech?
A gama começa nos 24 900 € (Five 95 cv). A versão Roland Garros de 150 cv, que testámos, começa nos 36 740 €; a unidade ensaiada custa 39 478,59 €.
