PlugNow · Notícias · Agosto 2026
A smart vai regressar às suas origens. Depois de vários anos a lançar apenas SUV com mais de 4,2 metros (#1, #3 e #5), a marca vai reviver a fórmula que a tornou famosa em 1998: um citadino minúsculo de dois lugares. Chama-se smart #2, é 100% elétrico e tem estreia mundial marcada para o Salão Automóvel de Paris, a 12 de outubro de 2026. É o herdeiro direto do saudoso fortwo, cuja produção terminou em 2024.
O anúncio oficial chegou de forma pouco convencional — através de uma campanha de murais pintados à mão em seis cidades (Berlim, Paris, Xangai, Hong Kong, Buenos Aires e Melbourne) que revelam o desenho exterior do carro. Mas a informação verdadeiramente relevante veio de outro lado: os documentos de homologação submetidos na China, no início de agosto, que já expõem as especificações de produção.
O que já se sabe da ficha técnica
Ao contrário do comunicado da smart, que se concentra no lado artístico, a homologação chinesa (MIIT) revela os números concretos do modelo de série. Convém sublinhar que são dados de produção legalmente vinculativos na China, mas ainda não confirmados oficialmente pela smart para o mercado europeu — a versão para a Europa pode sofrer pequenos ajustes.
- Motor: 60 kW (cerca de 82 cv) no eixo traseiro, fornecido pela InfiMotion (grupo Geely);
- Bateria: 35,7 kWh de química LFP (fosfato de ferro-lítio), com células da CATL;
- Autonomia: perto de 300 km WLTP segundo a própria smart — mais do dobro dos 145 km do último fortwo EQ elétrico;
- Carregamento rápido: 10 a 80% em menos de 20 minutos, com suporte para função V2L (alimentar equipamentos externos a partir da bateria);
- Dimensões: cerca de 2,76 metros de comprimento — fiel à silhueta ultracompacta do original;
- Velocidade máxima: 140 km/h, mais do que suficiente para o uso citadino a que se destina.
Plataforma nova, não reaproveitada
Um dos pontos mais importantes: o smart #2 não é um elétrico montado à pressa sobre uma base a gasolina. Assenta numa arquitetura dedicada, a Electric Compact Architecture (ECA), desenvolvida especificamente para este carro e não partilhada com o resto da gama Geely. Mantém a característica postura “wheels-at-the-corner” (rodas nos cantos) que sempre distinguiu o fortwo e que é a chave para o raio de viragem apertadíssimo — cerca de 7 metros — e para a agilidade em ruas estreitas.
O design é assinado pela equipa de Design Global da Mercedes-Benz, dentro da joint venture 50/50 entre a Mercedes-Benz e a Geely. A filosofia “Love, Pure, Unexpected” traduz-se em superfícies suaves, uma frente com faróis LED em forma de gota e um ar propositadamente simpático. Face ao Concept #2 mostrado em Pequim em abril, a versão de produção perde os exageros do protótipo — jantes gigantes, pneus brancos e acabamentos dourados —, mas mantém a essência.
Interior: o regresso do painel em “S”
Imagens de patente já revelaram o interior. A smart recupera o painel de bordo em forma de “S” que marcou o fortwo original, agora combinado com um ecrã tátil flutuante, um painel de instrumentos LCD e — detalhe que agradará a muitos — um bloco de botões físicos por baixo do ecrã. Há ainda duas bases de carregamento sem fios para smartphone e um banco corrido com arrumação integrada.
E em Portugal?
Ainda não há preço nem data confirmados para o mercado português. A smart indicou que as encomendas na Europa deverão abrir pouco depois da estreia de Paris, com as primeiras entregas em 2027. Faz todo o sentido esperar-se uma chegada a Portugal: o fortwo foi durante anos uma imagem de marca das cidades europeias densas, e nas ruas estreitas de Lisboa ou do Porto um dois-lugares elétrico com estacionamento facilitado tem um argumento óbvio. A grande incógnita será o preço — os elétricos citadinos deste segmento jogam-se todos na faixa mais sensível do mercado.
Ficha técnica preliminar
| smart #2 | Dados preliminares (homologação chinesa MIIT) |
| Tipo | Citadino elétrico de dois lugares (sucessor do smart fortwo) |
| Plataforma | Electric Compact Architecture (ECA), dedicada |
| Motor | 60 kW no eixo traseiro (InfiMotion / Geely) |
| Velocidade máxima | 140 km/h |
| Bateria | 35,7 kWh LFP (células CATL) |
| Autonomia | Perto de 300 km WLTP (a confirmar na homologação europeia) |
| Carregamento DC | 10–80% em menos de 20 minutos |
| Vehicle-to-Load (V2L) | Sim |
| Comprimento | Cerca de 2,76 m (2.751–2.764 mm) |
| Largura / Altura | 1.669 mm / 1.555 mm |
| Peso em vazio | Cerca de 1.130 kg |
| Estreia mundial | Salão de Paris, 12 de outubro de 2026 |
| Entregas | Previstas para 2027 |
Dados extraídos da homologação chinesa (MIIT) e de declarações da smart. Valores preliminares, sujeitos a confirmação na estreia europeia de 12 de outubro.
Em resumo: depois de anos a crescer em tamanho, a smart volta à casa de partida — e fá-lo no momento certo, com a mobilidade elétrica urbana a precisar exatamente disto: carros pequenos, ágeis e acessíveis, e não mais um SUV. Se o preço acompanhar a ambição, o #2 pode ser um dos elétricos citadinos mais interessantes a chegar à Europa em 2027. Fica o encontro marcado para Paris, a 12 de outubro.
