A miio revisitou o miio one, o seu plano de subscrição para carregamento público. A estrutura de preços mudou face ao lançamento: em vez de escalões de preço por kWh consoante o plano, há agora um desconto único aplicado a todos os carregamentos.
Neste artigo fazemos a conta que interessa: a partir de quanto carregamento é que a subscrição se paga a si própria.
Primeiro, o que é que este desconto cobre
É a confusão mais comum e convém arrumá-la antes das contas, porque neste plano há dois descontos e incidem sobre parcelas diferentes da fatura.
Num carregamento público pagam-se duas componentes. A do CEME, o comercializador com quem tem contrato, que cobra a energia. E a do OPC, o operador dono do posto, que cobra a ocupação. A isto somam-se as tarifas de acesso às redes e os impostos.
- O desconto de 0,07 €/kWh do miio one incide sobre a energia, a componente CEME.
- O desconto de 45% na rede Powerdot incide sobre a tarifa do operador, a componente OPC.
Os dois acumulam quando se carrega num posto Powerdot. É daí que vêm os números grandes da comunicação da marca.
Os planos
| Custo | Desconto na energia | |
|---|---|---|
| Mensal | 4,99 €/mês | 0,07 €/kWh |
| Anual | 49,99 €/ano (4,16 €/mês) | 0,07 €/kWh |
O desconto por kWh é igual nos dois. A única diferença é o custo da subscrição: o plano anual sai cerca de 10 euros mais barato ao fim de um ano. A miio anuncia ainda dois meses grátis no plano mensal [CONFIRMAR condições].
Inclui também cartão de carregamento físico sem custo, condicionado a uma permanência mínima de seis meses, e acesso via CarPlay e Android Auto.
A conta: quando é que compensa
A subscrição compensa quando o desconto acumulado cobre o seu custo. Só com o desconto de energia, sem contar com a Powerdot:
Plano anual. 49,99 € a dividir por 0,07 € de desconto em cada kWh dá cerca de 715 kWh por ano. Num carro que consuma 17 kWh aos 100 km, são aproximadamente 4.200 km por ano carregados na rede pública. Em sessões, ronda os dois carregamentos de 30 kWh por mês.
Plano mensal. 59,88 € ao ano pelo mesmo desconto empata perto dos 855 kWh anuais, cerca de 5.000 km.
A conclusão é simples: se vai subscrever, o plano anual é sempre o mais barato dos dois. O mensal só se justifica para experimentar.
E há um filtro anterior a tudo: estes números contam apenas o que carrega fora de casa. Quem tem carregador doméstico e usa a rede pública só em viagem dificilmente chega aos 715 kWh anuais.
Onde estão mesmo as poupanças grandes
O simulador da miio aponta cerca de 1.540 euros por ano para quem faça cinco sessões semanais na rede Powerdot com o plano anual.
Vale a pena perceber a composição desse número. Cinco sessões por semana de cerca de 30 kWh são perto de 7.800 kWh por ano — um perfil na ordem dos 45.000 quilómetros anuais, todos em carregamento público. É o padrão de um profissional de TVDE, não o do condutor médio.
E a maior fatia dessa poupança não vem do desconto de energia: vem dos 45% na tarifa do operador Powerdot. Isso tem duas consequências práticas.
Primeira: o valor depende de carregar mesmo na Powerdot. Fora dessa rede, sobra o desconto de 0,07 €/kWh.
Segunda: o desconto Powerdot tem prazo. É válido em Portugal Continental até 31 de dezembro de 2026 e a própria miio ressalva que pode mudar conforme as condições contratuais. Quem subscrever o plano anual em setembro está a comprar doze meses de um desconto cuja parte mais rentável está garantida por três.
O que a aplicação faz
Além do preço, o miio one assenta na ligação em tempo real ao veículo: estado da bateria, autonomia e consumos, com alertas antes de ser preciso carregar.
A app permite ainda encontrar postos, comparar tarifas antes de iniciar a sessão e usar tudo isso no ecrã do carro. A miio indica cobertura em sete países e mais de 285 mil postos, com mais de 500 mil utilizadores registados.
Então vale a pena?
Depende de dois números: quantos kWh carrega por ano fora de casa e quanto disso é na Powerdot.
Acima de cerca de 715 kWh anuais, o plano anual paga-se só com o desconto de energia. Se carrega com frequência na Powerdot, o ponto de equilíbrio chega muito mais cedo — mas conte com o prazo de 31 de dezembro de 2026. Abaixo disso, a subscrição custa mais do que rende, e pode continuar a usar a aplicação sem plano.
Antes de subscrever, compare o valor da energia com o dos restantes comercializadores. Temos um comparador de tarifários CEME para isso.
Perguntas frequentes
Quanto custa o miio one?
4,99 € por mês ou 49,99 € por ano. O desconto por kWh é igual nos dois planos, pelo que o anual sai mais barato.
O desconto do miio one é sobre o preço final do carregamento?
Não. O desconto de 0,07 €/kWh incide sobre a componente de energia, cobrada pelo comercializador. O desconto de 45% na rede Powerdot incide sobre a componente do operador do posto. Ao valor final acrescem ainda tarifas de acesso às redes e impostos.
A partir de quantos carregamentos compensa subscrever?
Com o plano anual, a partir de cerca de 715 kWh por ano na rede pública — perto de dois carregamentos de 30 kWh por mês, ou 4.200 km num carro de consumo médio.
Até quando é válido o desconto de 45% na Powerdot?
Até 31 de dezembro de 2026, em carregamentos feitos em Portugal Continental. A miio ressalva que as condições podem ser alteradas.
Compensa a quem carrega em casa?
Em regra não. Quem faz a maior parte do carregamento em casa raramente atinge o volume de energia na rede pública que justifica a subscrição.
Condições verificadas no site da miio a 9 de setembro de 2026.
